domingo, 28 de agosto de 2016

O Brasil pode ser um país rico? É possível distribuir a riqueza de maneira justa entre todos os brasileiros?

Uma guerra entre irmãos que gera um país mais pobre

A intensidade com que os brasileiros têm debatido política e economia nos últimos tempos, poderia levar algum desavisado a imaginar que se está criando em nosso país um senso crítico capaz de ser o propulsor das mudanças que o Brasil precisa para prosperar. Ledo engano. Infelizmente o que mais se tem visto são indivíduos preocupados em defender suas classes, partidos e privilégios do que em propor algo que realmente interesse ao país. Todos dizem querer o melhor, mas travam uma verdadeira guerra entre irmãos, cada um com interesses próprios.

Não que política e economia sejam temas com os quais eu não me interesse, mas nos últimos dois meses, intensifiquei um pouco mais meus estudos e dediquei algum tempo para debater com pessoas que considerei capazes de me ajudar a formar uma massa crítica sobre ao que está acontecendo no país na atualidade em relação a este dois temas.

Li diversos blogs, artigos e livros; ouvi rádio; assisti debates; conversei com pessoas inteligentes dos mais diversos partidos e ideologias, enfim, mantive minha mente aberta e tentei ser imparcial nas minhas avaliações.

Meus amigos sabem que sou crítico de determinadas políticas populistas há muito tempo. Abaixo transcrevo três postagens minhas que demonstram que o que escreverei neste texto nada tem de oportunista.

Postagens do twitter de 10/11/2013 em @rsdanielzanette

@dilmabr Espero que em seu segundo mandato, se houver, sem pensar em reeleição a senhora seja mais responsável em relação ao futuro do país.

Tenho que admitir que ela até tentou, mas o partido falou mais alto e o ministro da fazenda Joaquim Levy por mais bem intencionado que fosse, foi engolido por interesses maiores.


@dilmabr Por toda a coragem que a senhora demonstrou em outros cargos que ocupou no executivo, eu esperava uma postura menos populista.

Dilma realmente é corajosa. O fato de não ter renunciado apesar da iminência do impeachment demonstra isto. O problema é que só isto não basta. Resistir à pressão é uma ação elogiável, mas em política, negociação é uma característica muito mais desejável. Se eu estivesse recrutando um presidente da República, o primeiro requisito seria saber negociar, pois sem isto os objetivos não são alcançados. Exemplos temos de sobra, tanto de bons negociadores quanto de outros nem tanto.

A terceira postagem fiz em 09/10/2014 no Facebook:
Daniel Zanette
Por um tempo você até consegue manter um país sem investir na geração de riqueza, somente o explorando através de cobrança de impostos e aumento da burocracia, mas em algum momento a concorrência de outros países faz com que as possibilidades de geração de riqueza nacional desapareçam e a fonte seca.
O que acontece dai para a frente é horrível...
Informe-se na sua empresa sobre como o governo atual a tem tratado e tire suas próprias conclusões sobre para onde estamos indo.
Pense nisto: Governos não fabricam dinheiro. Se as fontes de geração de riqueza do país não forem apoiadas (no mínimo não serem atrapalhadas) o dinheiro vai diminuir e ai não haverá o que prometer, pois não haverá recurso para tal.
Perceba que os países mais pobres são aqueles com governos mais populistas e que são contra o lucro. São países em que é feio gerar riqueza, mesmo que seja para o bem de seu povo.

Este singelo texto para mim foi um marco, pois foi escrito em véspera de eleição onde tudo relacionado a economia estava maquiado. Obviamente não foi privilégio meu perceber isto antes dos problemas virem a tona, mas a falta de informação da população em geral em relação à situação crítica do país fez Dilma se reeleger e o que se passou a partir de então todos sabem. A guerra entre irmãos terá seu desfecho na próxima semana, com a finalização do processo de impeachment. Um dos lados pensa que sairá vencedor, mas a verdade é que o país está perdendo muito com esta guerra. Pouca gente se preocupa com isto, preferem defender seus próprios interesses, mesmo com as consequências nefastas que isto gera. Ainda bem que estamos no final, espero que o cessar fogo seja a próxima etapa, para o bem do país.

Está na hora de pensar nas próximas eleições para presidente

Mesmo que a campanha nem tenha começado, se você tivesse que responder a pergunta: "Se as eleições fossem hoje e os candidatos a presidente do Brasil fossem estes, em quem você votaria?".

Opção A: Candidato X
Opção B: Candidato Y
Opção C: Candidato Z
Opção D: Estou em dúvida

Você já tem candidato a presidente do Brasil?

Se sua resposta for sim, provavelmente você está ligado a algum partido político e crê piamente que o programa do mesmo seja o mais adequado e votará no candidato deste partido independente de quem seja, mesmo que já tenha provado incompetência; está ligado a alguma entidade sindical; tem algum interesse pessoal na eleição de determinado candidato; está "mamando na teta do povo" (e não quer largá-la); ou ainda, tem uma convicção forte de que determinado candidato possa ser o salvador da pátria. Não me ocorre mais nenhuma possibilidade.

Se sua resposta for "estou em dúvida", seja qual for o motivo, e quer pelo menos tentar fazer uma boa escolha, este texto é para você. Sem querer ser pretensioso, talvez ele te ajude.

Uma escolha difícil

Será que somos realmente responsáveis com a escolha dos políticos que irão trabalhar para nós? Será que realmente avaliamos a fundo as propostas dos candidatos? Será que temos noção que uma vez eleitos os políticos devem seguir o prometido? Fazemos cobranças diretas aos nossos representantes? O que acontece se os governantes fazem exatamente o inverso do que prometeram nas campanhas eleitorais? Temos claro o que precisa ser feito para que o país prospere e se torne rico?

Imagino que enquanto leu estas perguntas você involuntariamente respondeu a cada uma delas. Como disponho deste espaço aproveito o mesmo para dar as minhas respostas. Embora as questões tenham sido feitas no sentido de nação, do conjunto da população, creio que a politização de um país ocorre em sentido espiral, ou seja, começa pelo indivíduo, que vai espalhando aos mais próximos até chegar aos mais distantes, por isso as respostas individuais são importantes. Talvez esta seja uma boa utilidade para as "pirâmides". Quer ter sucesso financeiro? Quantas pessoas é capaz de recrutar para a causa de tornar o Brasil um país rico? Não seria ótimo que todos os que realmente tivessem o desejo de ter independência financeira a conquistassem de acordo com seus méritos, sem depender de benesses?

Será que somos realmente responsáveis com a escolha dos políticos que irão trabalhar para nós? 

Minha resposta é NÃO. Infelizmente até a última eleição eu agi mais com paixão do que com razão. Poderia justificar que dentre as opções disponíveis escolher o menos pior já seria algo louvável, até pode ser, mas escolher o menos pior sem avaliar o motivo de o candidato merecer este título é ser irresponsável.

O candidato a presidente no qual eu votei no primeiro e no segundo turno nas últimas eleições não ganhou, mas eu fiz minha escolha. Porém se me perguntarem se eu conhecia a fundo o plano de governo do candidato minha resposta é, de novo, NÃO. Agi com muita irresponsabilidade. Certamente se eu estivesse escolhendo um médico, um professor, um pedreiro, uma faxineira, ou qualquer outro profissional eu iria investir um tempo para avaliar se o profissional atende os requisitos que eu preciso. Se tem formação, se é caprichoso, se tem experiência, se é honesto, enfim, eu não colocaria em risco o resultado do trabalho e o dinheiro que iria investir contratando um profissional que não atendesse a requisitos mínimos para realizar a tarefa. Com o país eu não fiz isto. Tentei dar emprego para uma pessoa que nem conhecia, o que iria acontecer se ele fosse eleito? Não sei. Reitero, fui MUITO IRRESPONSÁVEL. E você? Que reflexão faz a respeito disto?

Alguém poderia dizer que os políticos são todos farinha do mesmo saco, que se fôssemos analisar a fundo votaríamos em branco, etc, etc. Concordo, porém se não estamos dominados pela paixão e somos mais racionais acabamos também sendo mais cautelosos. Se de antemão conhecemos o profissional que irá nos prestar serviço e sabemos das suas deficiências, ficaremos mais atentos ao seu trabalho. Se ao contrário, entregarmos tudo para ser feito e não acompanharmos por confiar cegamente no mesmo, só iremos saber se acertamos na escolha quando virmos o resultado final, ai pode ser tarde demais.

Será que temos noção que uma vez eleitos os políticos devem seguir o prometido?

Difícil cobrar se não temos claro quais são suas propostas. Mas supondo que a escolha tenha sido consciente devemos sim cobrar pessoalmente dos nossos representantes que eles cumpram seus programas de governo. A imprensa seguidamente faz isso, principalmente nas esferas locais, mas não é suficiente. Se houvesse uma onda forte de cobranças certamente os ocupantes de cargos ficariam preocupados com seu futuro político.

Infelizmente não há nenhum mecanismo legal que puna políticos que não cumpram o que prometeram. Também não podemos tirar ninguém do poder alegando incompetência. O remédio para isto, pelo menos na esfera federal que é onde realmente se faz a diferença em relação ao futuro da nação, seria o parlamentarismo. No último plebiscito a população optou pela continuidade do presidencialismo, a opinião do povo é soberana, evidentemente, mas esclarecer adequadamente a população também deveria fazer parte do processo.

Lembro bem que bateu-se muito forte na época que se o parlamentarismo fosse aprovado, não teríamos mais direito de escolher o nosso presidente. Isto é brincar com a inteligência das pessoas, mas pior do que isto é deixar os outros brincarem, na minha opinião foi o que ocorreu na ocasião.

Acredito que se naquela oportunidade tivéssemos optado por mudança de regime, hoje o país seria outro, no mínimo menos corrupto. Ainda há tempo. Este é um ponto que vou procurar saber dos candidatos, sua opinião sobre o regime de governo do pais. É a favor do parlamentarismo? Ganhou um ponto comigo.

Fazemos cobranças diretas aos nossos representantes? 

Curto e grosso, eu nunca fiz. Cômodo para eles, não?

O que acontece se os governantes fazem exatamente o inverso do que prometeram nas campanhas eleitorais?

A regra é que não aconteça nada. Mas há exceções e a mais recente é da presidente afastada Dilma Roussef.

Sinceramente acho que o que mais está pesando contra ela no processo de impeachment nem são as ditas pedaladas fiscais, embora sejam ilegais e serviram para mascarar a realidade econômica do país para a população e para a opinião pública. Mas o que está realmente fazendo a diferença no processo é a falta de apoio do povo. Dilma perdeu isto e por consequência perdeu também o apoio do Congresso. Historicamente isto é uma regra, o Congresso é (mesmo que por vias tortas) sensível às pressões populares.

Ninguém, mesmo o mais ignorante dos indivíduos gosta de ser enganado. A última eleição para presidente foi um verdadeiro estelionato eleitoral, pelo menos no que se refere a economia. Tudo estava maquiado. Vivíamos uma situação de prosperidade mentirosa, basta ver que desde os primeiros dias de governo, Dilma tratou de fazer o correto, aplicar no país um remédio amargo, mas necessário.

O problema é que este remédio desagradou a população, parte porque teve os benefícios que recebia do governo reduzidos ou até cortados, e parte porque se sentiu enganada, sendo obrigada a tomar um remédio que a candidata Dilma dizia que não seria necessário.

O povo saiu às ruas para protestar. Alguns aliados da presidente, por incrível que pareça, também protestaram. O remédio era necessário, mas os efeitos colaterais fizeram o médico (Dilma) irresponsavelmente reduzir as doses, novo erro. O paciente foi ficando cada vez mais doente, passou a desconfiar do médico e entender que deveria ouvir outras opiniões. Ficou confirmado que o médico estava equivocado no seu tratamento. Suas ações fizeram o paciente piorar muito, criou-se um círculo vicioso de desconfiança.

Deixando a metáfora de lado, o povo aceitou o pretenso golpe por conta da situação econômica do pais. Simples assim. Dilma poderá ter seu mandato reduzido não em função das pedaladas, mas por perder apoio, por ter sido incompetente, ter errado nas medidas econômicas.

Então afirmar que nada acontece com políticos que não cumprem o que prometem não é de todo correto. Está ai este exemplo para mostrar que a pressão da população faz os políticos perderem apoio, dai a uma mudança é questão de tempo. Políticos que não cumprem o que prometem devem sofrer pressão e mudar sua postura. No caso da presidente Dilma a pressão ocorreu, a mudança de postura não. Está sofrendo as consequências.

Não me sinto confortável em ver minha presidente perder seu mandato, mas no meu entendimento isto ocorreu por sua própria incompetência e inabilidade política. Ou seja, não me sinto confortável, mas também não me sinto culpado. E a reação do povo frente a isto, ficando inerte durante todo o processo mostra que a maioria não estava nem ai para a presidente, pois se estivesse iria às ruas protestar contra o "golpe", o que não ocorreu. Exceção a grupos sabidamente ligados a presidente, o que é justo, mas no contexto, pouco relevante.

Temos claro o que precisa ser feito para que o país prospere e se torne rico?

Inicio esta parte do texto escrevendo que em relação a política partidária não tenho lado. Não sou filiado a nenhum partido (embora ache que isto seja importante para a democracia) porque para isto o primeiro passo seria avaliar os programas partidários dos 35 partidos existentes hoje no Brasil, o que ainda não fiz, outra falha, mas compreensível num contexto onde se muda de opinião de acordo com a conveniência.

O problema começa com a própria existência de 35 partidos. Seriam 35 sérios programas diferentes a disposição do povo brasileiro? Sinceramente, a mim isto não faz sentido. A maioria dos partidos são nanicos e para nada mais se justificam do que servirem de moeda de troca nas eleições, seja por tempo de TV, rádio ou de apoio da militância (mesmo que ínfima).

Então precisamos de uma reforma política profunda pelo bem do país, tudo começa por ai. Com um número menor de partidos, ficaria mais fácil aos eleitores conhecerem os objetivos de cada um e definir a bandeira que iriam levantar. É muito complicado com a atual formatação alguém se definir por um projeto quando existem várias sobreposições de propostas entre os diversos partidos existentes. Reitero, o que tem se visto são mudanças relevantes de postura e opinião dependendo do lado em que se está. Se governo a situação é uma, se oposição, muda-se radicalmente. Com isto o povo fica perdido e vota em "salvadores da pátria" que respaldados pelos votos se acham tão poderosos que podem posicionar-se acima da lei e dos demais poderes constituídos. Isso para mim é o início de tudo. Um candidato que se mostre disposto a encarar este problema e defina ainda nas eleições de forma clara como pretende encaminhar a reforma política e se esta for respaldada por técnicos isentos vai ganhar mais um ponto em relação a minha escolha.

Recentemente li o excelente livro Depois da Tempestade do economista Ricardo Amorim e isto foi o estopim para a publicação deste texto. O livro apresenta propostas claras e embasadas que nos fazem entender o que ocorreu no Brasil nas últimas décadas e o que devemos fazer para que o país prospere e se torne rico no futuro.

Eu poderia simplesmente listar os tópicos e entregar a essência do livro, mas não acho isto justo com o autor e além do mais isto não é permitido. Por isso, apenas digo que o livro respondeu algumas perguntas sobre temas que sempre me deixaram em dúvida:

1) Por que o Brasil cresceu tanto durante o período de governo do presidente Lula?
2) Por que mesmo com tal crescimento, sempre ficava a impressão de que algo estava errado?
3) Por que é prejudicial para o país o fato do Estado interferir diretamente no mercado?
4) Os programas sociais são importantes?
5) No Brasil, os empresários dispõe de programas sociais disfarçados? É possível dizer que os empresários se beneficiam do "Bolsa Empresário"?
6) Lula e/ou Dilma erraram na política econômica ou a situação atual do país é decorrência da crise mundial?
7) Era possível prever o buraco em que o Brasil estava se enterrando, a tempo de evitar que isto ocorresse?
8) Qual o futuro de curto e médio prazo, em termos econômicos, para o Brasil?
9) Por fim, objetivamente, o que é necessário fazer para que o Brasil realmente seja um pais rico no futuro, e que esta riqueza seja distribuída de maneira justa entre todos os brasileiros?

Vejam que são muitas e relevantes as questões e certamente devo ter esquecido algumas pois a obra é muito abrangente. Mas o mais importante é que cada leitor faça as suas interpretações e tire as suas conclusões. A mim o livro tornou mais patriota. Me fez ver que é possível construirmos um país rico em curto espaço de tempo, favorecendo a geração atual e várias que virão.

Sei que com o cenário atual de total falta de confiança em nossos políticos é difícil acreditar em um futuro bom para todos, mas não podemos perder as esperanças. Se o processo de impeachment que se encerra na próxima semana culminar com o afastamento definitivo da presidente Dilma; se a Operação Lava Jato seguir seu curso e os corruptos forem punidos; se mais pessoas se conscientizarem do que é necessário fazer para o país progredir e cobrarem dos políticos estas ações, creio que muito em breve colheremos bons frutos, mas somente se soubermos semear bem agora e cuidarmos da plantação com paciência e perseverança.

Um país onde a impunidade impera e seus cidadãos não são politizados, é bem diferente de um país onde o inverso disto é a regra. Nem que seja por medo, tenho certeza que os políticos vão se comportar melhor, afinal, pode parecer clichê, mas o povo unido tem poder.

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Certamente ele se confundiu, certamente...

Dias atrás estava assistindo a uma entrevista com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e me veio a lembrança algumas histórias que aconteceram no dia em que o conheci pessoalmente.

Primeiro que fiz questão de registrar o momento com a foto ao lado. Nesta hora ele já havia proferido sua palestra e acompanhado de Dona Ruth Cardoso, sua esposa, conversava com os convidados amistosamente. Não apenas divulgava o livro que recém havia lançado, mas tratava de qualquer assunto que fosse proposto. Um perfeito cavalheiro atendendo a todos de maneira muito gentil.

A possibilidade de comparecer ao evento se deu de última hora e isto me causou alguns contratempos. Para entender voltemos no tempo algumas horas.

Eu estava na Bienal do Livro em SP e fiquei sabendo que haveria um grande evento de lançamento do livro do ex-presidente em um local chamado Campo de Marte. Fiquei excitadíssimo com a possibilidade de poder participar do mesmo. Comecei a me informar e descobri que era somente para convidados. Desisti da ideia, porém comentei com o diretor da livraria onde eu trabalhava sobre meu desejo de ir.

Chegando no hotel, cansado de um dia inteiro na Bienal, fui para o banho e ao sair vi meu diretor ao telefone. Ele estava encerrando a ligação. Comecei a botar uma bermuda quando ele me disse, "vai botar teu traje guri, nós vamos no evento do presidente, mas te apresse, já estamos atrasados, uma van vem pegar os convidados aqui no hotel". Ele havia conseguido os convites.

Mais que depressa coloquei meu traje, ele também, e saímos. Estava com fome pois era em torno de 18h e minha última refeição tinha sido o almoço. Ao chegar na recepção do hotel, tentei ir até o café para pegar um lanche mas não foi possível, a van estava de saída e eu parti com o estômago vazio.

Rapidamente chegamos ao local. Era um aeroporto próximo ao hotel onde estávamos. O lançamento seria dentro de um hangar que havia sido preparado especialmente para o evento.

A primeira impressão não foi boa. O local era meio escuro, havia um palco improvisado, um púlpito, dois microfones, e caixas de som. Nada de especial. Até estranhei um evento desta magnitude num local tão inapropriado. Porém aos poucos, fui me acostumando com o ambiente e percebi que o que realmente estava fazendo a diferença eram as pessoas e a organização. Tentei me enturmar mas realmente é difícil quando não se conhece ninguém. Meu diretor nesta hora já estava com uma turma de uma editora parceira da nossa livraria.

Protocolo, palestra, agradecimentos. Terminadas as formalidades, começaram a servir bebidas, mais precisamente de dois tipos, uísque e Martini. Iniciou-se um dilema em minha mente. Meu estômago continuava vazio, beber agora seria um perigo, mas eu precisava me enturmar. Era estranho ficar recusando bebida cada vez que o garçom passasse sendo que todos ao meu redor estavam bebendo. Havia bebido uísque uma ou duas vezes na vida e não me agradei da experiência. Ainda assim era melhor do que o Martini. Pensei, "vou pegar um copo de uísque e não beber, passo o tempo com ele na mão".

Tudo parecia perfeito, até o momento em que vi o ex-presidente chegando ao grupo do qual eu fazia parte. Ele caminhava com dificuldade pois estava rodeado de pessoas que queriam sua atenção. Mesmo assim ele parava em cada pequeno grupo e conversava um pouco com todos. Ele veio se aproximando e não sei o porquê comecei a ficar muito, mas muito nervoso. Minhas mãos tremiam tanto que estava difícil manter o uísque dentro do copo. Tentei segurar com as duas mãos mas não deu certo. Olhei para os lados para ver se tinha algum local onde eu pudesse colocar o copo mas não havia. Ele estava chegando, "meu Deus, o que fazer? Preciso me livrar deste líquido". Ele estava mais ou menos a três passos de onde eu estava e olhava para nós sorridente, estava com um copo de uísque nas mãos. Dona Ruth um pouco atrás. Dois passos, a mão tremia cada vez mais, as pessoas estavam percebendo. A próxima ideia que me veio a cabeça foi tomar tudo num gole. Ainda tive tempo de pensar, "depois como algo ou bebo água e tudo se resolve", foi a última coisa que consegui pensar sóbrio!!

Tomei o uísque num só gole e fiquei satisfeito com a minha ideia, tudo parecia resolvido. Não me senti alterado. Conversei com o presidente normalmente (acho que consegui fazer ele ouvir uma ou duas palavras, tipo "eu ..... fã"). Pedi que tirassem a foto que ilustra este texto e quando ele virou as costas para ir embora, novamente me senti autoconfiante a ponto de pensar que poderia "para me enturmar" pegar mais um copo de uísque e segurá-lo nas mãos intacto pelo resto do evento.

Não vou entrar em detalhes sobre o que ocorreu até o final, mas em resumo, de fato foi o último copo que tomei naquela festa. Não vi servirem água nem comida. Pouco tempo depois pensei ter descoberto porque escolheram aquele lugar. Era um local especial que girava e fazia as pessoas se sentirem leeeeve!!! Na hora pensei que fosse para treinamento de pilotos. Nem cogitei a possibilidade de eu ser fraco para bebida, hoje tenho certeza que foi isto.

Mas o mais inusitado ainda está por vir...

Saímos dali e fomos para outra festa, esta muito maior, com música ao vivo e tudo. Era a festa de encerramento da Convenção Nacional de Livrarias, evento que ocorria paralelamente à Bienal e no mesmo hotel onde estávamos hospedados. Deveria haver umas mil pessoas ou mais, um local enorme, muito luxo!

Ali estavam servindo alguns petiscos, mas tão pequenos, que para amenizar minha fome eu precisaria comer uns cem!! Mas eu estava decidido, iria matar minha fome ali, mas iria aos poucos durante a noite. Me servi de uns três petiscos num intervalo de uns cinco minutos, e quando foi anunciado o início do baile pararam de servir. "E agora, o que farei?". Não havia o que fazer a não ser aproveitar a festa.

Neste local a variedade de bebidas era maior, tinha cerveja e vinho, por exemplo. Entretanto sempre ouvi que não é muito adequado misturar, por isso resolvi apostar novamente no uísque.

Lembro de ter tomado dois copos e que também tive a impressão de que o local girava. Dai para a frente tudo se apresenta em minha mente em forma de flashes.

Estava com uma turma de espanhóis, dois rapazes e uma moça. Me chamou a atenção que fumavam muito. Dancei algumas músicas nesta "rodinha".

O conjunto era bem eclético. Tocavam de boleros a sertanejos. A partir de certo ponto do baile também tocaram as dancinhas da moda inclusive fazendo coreografias.

De repente vi um cara subir no palco e dançar a Dança do Créu. Alguém me desafiou a subir no palco, incrivelmente eu subi (já adianto que não dancei, subi com outro objetivo).

As pessoas se divertiam muito vendo o "cara do Créu" dançando. As mais afoitas ficavam bem próximas ao palco batendo palmas e gritando. Nesta hora lembro que peguei o microfone e aproveitei minha habilidade de comunicador para animar ainda mais a galera. Não tenho certeza, mas acho que fiquei no palco um ou dois minutos e devo ter falado uma ou duas palavras, afinal não queria chamar a atenção, só subi porque fui desafiado.

Depois disto não lembro mais nada de relevante, somente que em determinado momento resolvi ir para o quarto e que fui de elevador. Ao chegar fui ao banheiro, liguei o chuveiro e entrei no box para me molhar. Pouco depois deitei na cama, molhado mesmo. Dai para a frente apagão total...

No dia seguinte fomos para o último dia da Bienal, era um dia especial pois iria conhecer o presidente de uma importante entidade de classe das livrarias do Brasil e pegar autógrafos de renomados autores.

Chegamos ao estande onde o presidente da referida entidade estava. Era um estande de uns quatro metros de extensão e ele estava no fundo da sala em uma mesa. Me aproximei, apresentei-me e ele me perguntou em qual livraria eu trabalhava, como estava o mercado e se eu havia ido no lançamento do livro do presidente. Tomamos um cafezinho enquanto algumas pessoas vinham pedir assinaturas em documentos. Falamos sobre a Bienal, sobre alguns lançamentos importantes, enfim amenidades.

Quando eu percebi que ele estava ocupado e que era hora de me retirar, agradeci a acolhida e fiz menção de me despedir. Nisto ele chamou uma secretária e pediu para tirar uma foto comigo, falei que era uma honra e tiramos. Legal mencionar que não era para nenhuma rede social, mas sim para o jornal impresso da entidade.

Quando eu já estava saindo, estava até de costas, ele me chamou e falou: "Ah, parabéns pela animação da festa de ontem, realmente você canta e dança muito bem!!! Depois que você foi embora a festa praticamente acabou.". Fiquei meio sem reação pois não entendi sua colocação. Agradeci, totalmente sem graça, e sai dali rapidamente.

Dúvidas que me perseguem até hoje: "Canta?? Dança?? Como assim? Não fiz nada disto!!".

É bem verdade que o uísque causou pequenos "brancos" em minha memória, sobretudo no momento que subi no palco, mas certamente ele se confundiu com alguma outra pessoa, certamente...

domingo, 3 de janeiro de 2016

Livros, impossível substituí-los.



Alguém pode até me chamar de ultrapassado, mas eu ainda não consegui substituir os livros por nenhuma destas "novidades" que a tecnologia nos proporciona. Não sei se isto se deve a nostalgia que é presente em minha vida quase em tempo integral e que já foi tema de diversas sessões de terapia, ou se realmente eles são insubstituíveis.

Um fato digno de nota: Somos em três pessoas em nossa casa, uma típica família dos tempos modernos, temos a nossa disposição três notebooks, um desktop, um tablet e dois smartphones, não nego que eles tomam grande parte do nosso tempo, mas também não é difícil nos encontrar (todos, inclusive meu filho de 12 anos) lendo um bom livro, fato que se intensifica nas férias.

Sou daqueles que acredita que em nossas vidas nada acontece por acaso e durante cinco anos tive a oportunidade de trabalhar em uma livraria, atribuo a isto o fato de gostarmos tanto de livros. Eu era devidamente remunerado para o ofício que exercia, mas mesmo que nenhum dinheiro tivesse ganhado, as experiências que vivi já seriam uma bela remuneração.

Participei de diversas Bienais do Livro e Convenções de Livrarias, conheci pessoalmente diversos autores, donos de editoras e de grandes livrarias, pude ver o quão difícil é trabalhar com livros no Brasil e o quanto a ganância atrapalha o desenvolvimento cultural do nosso país. Sim, pude ver isto muito claramente convivendo com os protagonistas do mundo dos livros por incrível que pareça.

Naquele período ganhei muitos livros. O objetivo era que fossem lidos para uma adequada divulgação entre os clientes da livraria onde eu trabalhava. Não dei conta de ler todos e os guardei de maneira muito inadequada dentro de caixas, por muitos anos. Nem lembrava de quantos tinha e quão relevantes eram, estava tudo escondido, o meu "tesouro". De que vale mesmo um tesouro se não podemos pelo menos vê-lo?

Agora, passados mais de oito anos, finalmente pude construir um móvel para abrigar a minha biblioteca. Entendi perfeitamente porquê algumas pessoas se negam a emprestar, vender ou doar seus livros. Organizando o meu "tesouro" fiz uma verdadeira viagem no tempo. Acessei coisas que estavam bem escondidas em meu inconsciente, foi fantástico. Mas o mais interessante foi que vi que tenho material para ler por muito tempo.

Entre os livros que estavam guardados já li dois, e destaco agora o excelente "Casais Inteligentes Enriquecem Juntos" do meu conterrâneo Gustavo Cerbasi.

Ganhei o livro na Bienal de 2004 e nesta época, conforme escrito na capa, o livro já estava na sua 55ª edição. Mesmo assim não me chamou atenção, achei que era mais um "livrinho" com dicas que eu, formado em Contabilidade e portanto acima da média da população no assunto de finanças, não precisava ler. Para ser sincero pensei ser um livro de autoajuda. Também pensei que o enriquecimento era uma utopia, não estava bem familiarizado com os conceitos. Deixei o mesmo guardado todos estes anos, até inaugurar a minha biblioteca.

Quando comecei a organizar meu "tesouro" em algum momento peguei na mão este livro, novinho em folha, autografado (eu não só conheci como assisti uma palestra e conversei com o autor), prontinho para ser lido e de novo pensei, "com tantos livros para serem lidos e com o tempo limitado que tenho, não será por este que irei começar" e guardei-o, desta vez pelo menos em local digno na minha nova biblioteca, para ser lido no futuro.

Mas o acaso, ops, ato falho, nada acontece por acaso, me fez conversar com duas pessoas, uma aficcionada por enriquecer, e outra já rica. O primeiro, um jovem com pouco mais de 20 anos que tem metas bem claras de quanto quer possuir em dinheiro em cada fase da vida; a outra com pouco mais de 40 anos, que começou a poupar cedo, teve disciplina e hoje já possui independência financeira. Vi que ambos eram pessoas "normais", conclui que tentar ser rico ou ser rico é algo possível para qualquer indivíduo. Me interessei pelo tema, li alguns textos em blogs especializados e lembrei que tinha guardado um livro sobre o assunto que ignorei por duas oportunidades. Botei na mala e o levei para as férias, foi o primeiro de três a ser lido, e valeu a pena.

Independente do estágio de vida em que a pessoa se encontra o livro vai ser relevante. Para mim ele teve o efeito de um "soco no estômago". Me mostrou uma realidade que eu conhecia, mas que não dava a real importância. Às vezes perdia sono pensando no futuro mas nunca fiz nada para me preparar para ele. Encarar a realidade e planejar o futuro é decisão de cada um. Saber como as coisas realmente acontecem em termos de independência financeira é a proposta do livro e isto é plenamente satisfeito nesta obra.

Importante ressaltar que enriquecer não depende apenas da vontade, disciplina e conhecimento em relação ao mercado financeiro, mas sim de uma série de fatores, isto é expresso no livro diversas vezes. Mas mesmo que tudo ocorra da forma inesperada, uma pessoa que se preparou vai conseguir enfrentar as adversidades com muito mais facilidade do que uma pessoa que não planejou sua independência financeira.

Vários paradigmas são quebrados no livro, para mim os mais relevantes são em relação aos bancos (sim, eles podem trabalhar a nosso favor) e a casa própria. Não vou descrever aqui como se deram estas quebras de paradigmas para instigar quem estiver lendo este texto a ler a obra, mas vou dizer que para mim significaram realmente uma nova forma de ver estes aspectos da vida financeira.

Por fim, um agradecimento ao meu filho Gabriel, meu grande incentivador a escrever neste blog. Ele sabe que eu gosto de expor minhas opiniões e que invento um monte de desculpas para não fazer isto. De qualquer forma ele não se cansa de me instigar e este texto só foi escrito por que ele me "cobrou" pelo menos umas cinco vezes, obrigado filho, você me inspira. Ah!! Já ia esquecendo, não me peçam o livro emprestado, tenho dois bons motivos não fazê-lo. O primeiro é que nos próximos meses vou precisar consultá-lo várias vezes para consolidar bem os conceitos e o segundo e mais importante, vou emprestá-lo para alguém muito especial lê-lo, minha esposa Andréia, afinal "Casais Inteligentes Enriquecem Juntos".

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Senhores telespectadores...


Nesta sexta-feira, de temperatura negativa na serra gaúcha, nada melhor do que escrever sobre um tema sem muita relevância, mas que faz parte da vida de todas as pessoas: Televisão, especificamente a aberta e gratuita.

Mas o que isto tem a ver com o fato de ser sexta-feira e da temperatura estar baixa? Simples. Nestas condições é bem provável que a maioria da população que está de folga opte por ficar em casa no final de semana, embaixo de cobertores, assistindo TV, ao invés de sair para passear, principalmente a noite.

O tema é complexo e extremamente abrangente. Falar de um programa de televisão seria fácil, mas falar de televisão sem delimitar nada, em minha visão é bem mais complicado. Mas vou tentar.

Muito embora ao longo do tempo foram incorporadas outras, sabe-se que a principal fonte de receita das emissoras de televisão provém da venda de espaços comerciais, pelo menos nas emissoras responsáveis e sérias. Os anunciantes, via de regra, preferem as que possuem as maiores audiências, pois desta forma seus anúncios serão vistos por um número maior de pessoas. Em alguns casos, a escolha do programa onde o anúncio será exibido também leva em conta a credibilidade dos apresentadores, o público predominante, entre outros fatores. Mas audiência, é o alvo das emissoras pois dá grande visibilidade a elas e isto, neste setor, é fundamental.

Quando resolvi escrever sobre este tema, procurei assistir a televisão de maneira um pouco mais crítica. Através deste exercício percebi que na maioria das vezes quando estou na frente da TV, estou apenas olhando para o aparelho, mas não assistindo efetivamente. Meus pensamentos vão longe... e a TV ali, ligada. Outro detalhe que constatei foi que os programas de maior audiência são, ou os apelativos, ou os simples em sua produção, ou os que estão no ar há muito tempo, consolidados e que já fazem parte da rotina das pessoas. Não seriam exatamente estes os motivos destes programas fazerem sucesso? Quais sejam: Serem de fácil entendimento, ou velhos conhecidos do público e que não exigem, portanto, concentração e pensamento crítico de quem os estão assistindo?

Recentemente conclui a leitura de "O Livro do Boni" e percebi que quando a Rede Globo ainda era uma pequena emissora, sem expressão em termos de audiência, escolheu um caminho que em pouco tempo a levou a liderança de onde nunca mais saiu. O caminho foi a diferenciação. Seus diretores criaram necessidades no público que nem esses sabiam que tinham. Muitas das atrações que foram criadas no início permanecem no ar até hoje e são as que sustentam a programação da emissora. No momento, entretanto, a campeã de audiência anda meio carente de criatividade. Parece que há uma certa acomodação na empresa que faz com que as novidades sejam diminutas, e quando aparecem, são efêmeras, pois baseiam-se em modismos.

E as outras redes? Em minha opinião a situação é ainda pior. Para garantirem a audiência de cada dia, apelam para aquilo que está chamando a atenção no momento. Quando o público enjoa de determinada música, grupo ou pessoa, a audiência cai, pois a programação está baseada nisto, e não em algo concreto e duradouro. Hoje, por exemplo, a moda é ver mulher bonita sendo maltratada na TV. Eu mesmo já assisti três programas que usam esta estratégia para conquistar audiência, já enjoou e eles ainda não perceberam...

Outra consideração que julgo importante: fazia algum tempo que o SBT havia perdido o segundo lugar de audiência no Brasil para a Rede Record. "Coincidentemente" isto ocorreu quando a Record apresentou uma série de novidades em sua programação. Recentemente o SBT resolveu regravar a novela Carrossel e rapidamente viu a audiência de toda a grade subir. Deduz-se que o público só havia saído porque não existiam mais novidades na emissora e Carrossel, por incrível que pareça, significou algo novo. Voltaram para assistir a novela e perceberam que haviam outros programas interessantes.

Mas então, porque não inovar mais frequentemente? Mas inovar mesmo, pensar em algo que ainda não foi feito na TV, sair aos poucos desta situação de absoluta falta de qualidade. Será que é tão difícil? Será acomodação? Será medo de errar?

Evidentemente não tenho as respostas para as perguntas acima, mas avalio que com a programação atual, os brasileiros que têm na televisão aberta a sua principal fonte de entretenimento estão recebendo uma carga de informações inúteis e de mau gosto, porém, fáceis de digerir. Ou os diretores artísticos das emissoras estão sem ideias ou acham que o brasileiro não tem condição de absorver nada melhor. Qualquer que seja o motivo, é lamentável...

Bom final de semana a todos.

domingo, 20 de maio de 2012

Os meios justificam os fins.

Em diversas situações ouvimos que “os fins justificam os meios”, mas será que em algum caso é possível afirmar que “os meios justificam os fins”? Sim, é possível. Pelo menos em uma situação cheguei a esta conclusão.

Quem me conhece sabe que desde muito jovem sempre fui ligado ao Movimento Tradicionalista Gaúcho. Este foi um dos pilares da formação da minha personalidade, pois tive a oportunidade de conviver em um ambiente com valores e princípios muito enraizados, muito embora minha juventude e imaturidade não me permitiram viver em plenitude tudo o que o Movimento tem a oferecer.

Sem pretender medir se o conhecimento que tenho a respeito do Movimento é grande ou pequeno, gostaria de dizer que tudo o que sei me foi ensinado por pessoas mais experientes através de palestras, livros e conversas informais. A paciência e a dedicação que algumas pessoas dispensaram em meu favor me fizeram sair de uma condição primária de entendimento para outra, em minha opinião, bem mais consistente.

A isca que me fez entrar no Movimento foi a dança. Pouco tempo depois, a música me fez permanecer. Hoje, não danço e nem canto mais, mas continuo ativo no Movimento pela consistência citada acima. Se eu ainda fosse imaturo como na minha juventude, provavelmente não veria motivos para continuar frequentando o CTG.

Me perdoem os que abandonam suas entidades porque param de dançar, cantar, tocar; ou porque seus filhos param; ou porque não concordam com a patronagem em algum aspecto. Mas o que eu penso a respeito de vocês, é que são pessoas que estão no estágio inicial da escalada tradicionalista. Contentam-se com a isca apenas. Não sabem o banquete que estão perdendo.

Houve um tempo em que eu questionei muito as atividades Artísticas dos CTGs. Achava que a competição estava tirando o foco real do Movimento. Que os dançarinos, cantores, instrutores, músicos, coordenadores, estavam focados num único objetivo: Concursos de Dança. Cheguei a pensar que o melhor seria extinguir os concursos. Pensava que estar em um CTG significava muito mais do que satisfazer uma vaidade própria. Significava fazer um bem para a sociedade. Apregoar valores e princípios que tornassem a vida em comunidade melhor. Só nunca soube como fazer isso sem desestimular o ingresso dos jovens ao Movimento.

Vamos ao assunto principal deste texto:

Ontem à noite, tive a oportunidade de assistir ao Elenco Artístico do CTG Campo dos Bugres, o meu CTG, em uma apresentação de um espetáculo cênico no UCS Teatro. Percebam como o Movimento evoluiu. O que no passado era restrito aos galpões e rodeios, hoje pode ser apreciado também num ambiente confortável e improvável até bem pouco tempo, como um teatro.

Capricho nos detalhes, atores bem ensaiados, coreografias harmônicas e bem montadas, mas principalmente uma história. O benefício foi proporcional a assistir uma palestra, ler um livro ou conversar com alguém experiente, e o melhor, foi divertido.

Agora o inusitado. A grande maioria dos artistas faz parte do grupo de danças adulto do CTG. Estão trabalhando duro para participarem no final do ano do “maior festival artístico amador da América Latina”. Mas para chegar lá, tiveram de estudar, ensaiar, decorar, enfim, investir tempo em algo que os levará com mais facilidade ao seu objetivo final. Imagino que sem perceberem, estão trocando de patamar no tradicionalismo, pois estão tendo acesso à essência do Movimento. No momento, isto pode não fazer muito sentido, mas ficará no subconsciente e futuramente, terá uma utilidade enorme, experiência própria. Ccom esta atividade, foi possível apregoar valores e princípios aos jovens sem desestimulá-los, afinal estavam fazendo o que gostam, dançando!!!

Mas porque falei no início do texto que “os meios justificam os fins”? Simples. Apesar de entender que dança é o estágio mais primário do Movimento admito que não podemos viver sem ela. Temos, portanto de ser criativos o suficiente para que até que cheguemos ao “fim” (dançar, competir), passemos por vários “meios” que possibilitem melhoria no entendimento dos membros de nossas entidades sobre o que realmente é a essência do Movimento. Teatro é uma ótima maneira, isso se comprovou ontem a noite, precisamos criar outras.

No Campo dos Bugres isto não é novidade. Um dos alicerces do CTG sempre foi o teatro. Nos momentos mais difíceis esta atividade possibilitou a integração de todos. Creio que em uma situação extrema, talvez esta fosse a última atividade a se extinguir. Por incrível que pareça, não conheço outra entidade que faça algo parecido.

Por fim, parabéns a todos os que participaram de uma forma ou de outra deste espetáculo. Fica a dica para quem não foi. Em uma próxima apresentação não deixem de ir. Esqueçam qualquer tipo de apresentação de CTG que já tenham assistido, esta é diferente, é inédita, vale a pena. Creio que com divulgação será possível apresentar o espetáculo em todo o estado. Seria uma contribuição imensa que o CTG prestaria a quem fosse prestigiar o evento.



- Quase 150 visualizações em uma semana. Obrigado a todos...

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Redes Sociais... Me rendo.



Vários foram os fatos marcantes da minha vida, e hoje gostaria de contar um que mostra que o mundo, em sua essência, não muda.

Não muito tempo atrás os caixas eletrônicos não existiam e a chegada desta tecnologia trouxe algumas dúvidas para a sociedade. Uma muito considerável, foi relacionada a questão de empregos. Caixa de Banco, era uma carreira cobiçada, ainda mais se fosse do Banco do Brasil. Atender os clientes que precisavam pagar contas, sacar dinheiro ou, pasme, emitir um extrato, dependia de um treinamento fora do normal em informática. Mas neste momento me fixo em outra dúvida, não menos importante, relacionada a operação em si das "geringonças".

Lembro-me que ir ao caixa eletrônico sacar dinheiro ou emitir um extrato era considerado um evento. Em uma ocasião, um tio "rico", sim, só rico tinha conta em banco, pediu para a esposa sacar um dinheiro no caixa eletrônico para pagar algumas contas. Inclusive poderia sacar um pouco a mais para com este excedente comprar um delicioso sorvete. Pedi para ir junto, não perderia esta oportunidade. Curioso que sempre fui, não estava interessado no sorvete, mas em saber como funcionava um caixa eletrônico.

Na noite anterior, uma "reunião". Explicações sobre o funcionamento da máquina. Criação de um pequeno manual, tudo certo.

No dia seguinte, vestimos roupas de "ir para o Centro (da cidade)", pegamos o ônibus e finalmente chegamos em frente ao banco. Meus Deus, quanta emoção. Eu nunca tinha entrado num banco, e muito menos operado um computador. A coisa mais legal que eu tinha feito em termos de "informática" era datilografar alguns textos na casa de uma amiga abastada.

Enquanto minha tia se preocupava em sacar o dinheiro, cuidando para que outras pessoas não vissem a quantia, eu me preocupava em mostrar para as outras pessoas que aguardavam, que éramos pessoas importantes, afinal tinhamos conta em banco, éramos "ricos", rsrsrs.

Não deu outra. Ela não conseguiu sacar. Operar um caixa eletrônico realmente era algo muito difícil, pelo menos para ela... Um auxílio de uma funcionária do banco foi o suficiente para que tudo ocorresse como o planejado. Estranho não? Durante muito tempo, também achei, hoje não acho mais.

Sempre me considerei um expert em informática. Comprei meu primeiro computador em um consórcio em 20 parcelas. Tive a sorte de ser sorteado na segunda e tive minha primeira máquina, um "quatro oito meia" em uma época em que a maioria das empresas estavam comprando seus primeiros computadores. Fui um pioneiro. Mas hoje... estou atrasado.

Não participo de redes sociais e não sei como me tornar membro do blog do meu filho de oito anos. Percebi que meus colegas Josani e Ramon, além da minha cunhada Kellen, são meus seguidores no blog, mas eu não sei como fazer para ser seguidor do blog do meu filho. Acho que vou ter que chamar a funcionária do banco...

Vocês, mais jovens do que eu que estão rindo, não façam isto. Não sabem o que vem pela frente. Operar um caixa eletrônico estava para minha tia, como operar um blog está para mim. Não tenham dúvida, logo logo, surgirá algo que vocês terão de fazer um esforço enorme para dominar e que para as novas gerações será algo muito simples. Não sei explicar isto, mas sei que é assim que funciona.

Minha tia, hoje, opera um caixa eletrônico com muita facilidade. Espero futuramente, operar o meu blog e as redes sociais com a mesma desenvoltura, caso contrário estarei na contra mão do desenvolvimento normal do ser humano. Vou forçar a barra, para acompanhar a tecnologia,

Para finalizar, gostaria de dizer que fiquei surpreso com o número de acessos que tive no blog na primeira semana, tanto que resolvi escrever mais um texto antes do tempo combinado. Atribuo isto às redes sociais, minha esposa e cunhada curtiram o texto em seus Facebooks e... mais de 50 acessos. Para mim algo inimaginável. Estou quase convencido de que só terei audiência no blog se divulgá-lo em redes sociais, meu "caixa eletrônico". Por isto, conclamo a quem curtir os textos, que divulguem em seus Facebooks, sempre que eu bater o recorde de acessos, informo aqui. Se não der certo, vou eu mesmo criar o meu Facebook, me rendo!!!

Quanto ao sorvete, minha tia errou nas contas. Uma fatura estava atrasada e tinha juros. Por isto, só deu para comprar um sorvete para os dois, bem parecido com o da foto acima. Ela deu uma lambida, e quando eu fui dar a minha, ploft, o sorvete caiu no chão. Até hoje, quando lembro deste fato me dá água na boca. O único sorvete do qual me lembro foi o que não consegui comer, estranho não? Só confirma a tese de que o que é mais difícil é mais gostoso.

domingo, 13 de maio de 2012

Inter Campeão Gaúcho

Não estou com esta postagem tentando demonstrar que sou um fanático por futebol. Gostaria de avaliar o jogo final do gauchão de hoje sob um prisma pouco explorado.

Minha opinião desde que o Internacional foi confirmado para disputar a final do campeonato Gaúcho com o Caxias, era de que seria um massacre, tamanha a diferença entre os dois times. Imaginava que seria algo como Santos e Barcelona, ou seja, que a lógica prevaleceria e que o Caxias não teria nenhuma chance. No fundo, para evitar um vexame para a nossa comunidade, estava torcendo para, pelo menos, não ser uma goleada.

Para minha surpresa, já no primeiro jogo, no Centenário, o Caxias demonstrou que poderia fazer frente ao Inter. Não fosse o gol colorado, poderia ter vivido uma semana com a sensação de que o título poderia pela terceira vez vir para Caxias do Sul. Depois do gol vermelho, entretanto, os pensamentos sobre a possibilidade de vexame voltaram a minha cabeça, e vivi uma semana pensando em nem assistir o jogo, para não sofrer.

Torço para o Inter, quando o Caxias não está na parada. Mas a SER Caxias, para mim, é mais do que o meu time, é minha cidade, meu povo, minha comunidade, é Caxias do Sul.

O jogo começou, e novamente o Inter, no primeiro tempo, não foi páreo para um Caxias bem armado e o primeiro tempo terminou em 1x0 para o time da serra, jogando um futebol superior ao da Capital. Senti cheiro de título!!

Mas veio o segundo tempo e a lógica prevaleceu. O Inter sufocou o Caxias, até virar o jogo. Quase um gol no finalzinho, deu o título ao Caxias, quase. Terminou o jogo, Inter Campeão, normal!!

Mas e dai? Qual o motivo desta postagem?

Na verdade escrevi tudo isto para dizer que fiquei supreso com a reação dos jogadores e da torcida do Inter. Como pode vibrarem tanto por um título gaúcho? Para quem já foi campeão de tudo, me parece um título pequeno. Não há novidade, isto é normal, ocorre todos os anos. A novidade, que justificaria uma comemoração enorme, seria o Caxias campeão. Se eu fosse do Inter, teria vergonha de comemorar tanto a conquista do título frente a um concorrente tão inferior em termos de investimento.

O time do Internacional, terá de ter outra postura no Campeonato Brasileiro se quiser comemorar da mesma forma que a comunidade caxiense comemoraria caso o Caxias tivesse ganho o título do Gauchão. A forma que se comemora quando ocorre algo realmente considerado improvável. Improvável? O Inter ganhar o Brasileirão? Com este time? Com esta arrecadação? Exatamente. O ano que o Inter ganhou um Brasileirão é anterior ao ano que o Caxias ganhou um Gauchão.

Quanto ao Caxias, vencer o Grêmio, já é algo a se comemorar. Sim, no Gauchão o Caxias ficou na frente do Grêmio. Fomos o segundo melhor. Que venha a série C.

O pior de tudo, foi aguentar a torcida adversária, fazendo festa na nossa praça, por favor, porque não não vão dormir???? rsrsrsrs