Uma guerra entre irmãos que gera um país mais pobre
A intensidade com que os brasileiros têm debatido política e economia nos últimos tempos, poderia levar algum desavisado a imaginar que se está criando em nosso país um senso crítico capaz de ser o propulsor das mudanças que o Brasil precisa para prosperar. Ledo engano. Infelizmente o que mais se tem visto são indivíduos preocupados em defender suas classes, partidos e privilégios do que em propor algo que realmente interesse ao país. Todos dizem querer o melhor, mas travam uma verdadeira guerra entre irmãos, cada um com interesses próprios.Não que política e economia sejam temas com os quais eu não me interesse, mas nos últimos dois meses, intensifiquei um pouco mais meus estudos e dediquei algum tempo para debater com pessoas que considerei capazes de me ajudar a formar uma massa crítica sobre ao que está acontecendo no país na atualidade em relação a este dois temas.
Li diversos blogs, artigos e livros; ouvi rádio; assisti debates; conversei com pessoas inteligentes dos mais diversos partidos e ideologias, enfim, mantive minha mente aberta e tentei ser imparcial nas minhas avaliações.
Meus amigos sabem que sou crítico de determinadas políticas populistas há muito tempo. Abaixo transcrevo três postagens minhas que demonstram que o que escreverei neste texto nada tem de oportunista.
Postagens do twitter de 10/11/2013 em @rsdanielzanette
@dilmabr Espero que em seu segundo mandato, se houver, sem pensar em reeleição a senhora seja mais responsável em relação ao futuro do país.
Tenho que admitir que ela até tentou, mas o partido falou mais alto e o ministro da fazenda Joaquim Levy por mais bem intencionado que fosse, foi engolido por interesses maiores.@dilmabr Por toda a coragem que a senhora demonstrou em outros cargos que ocupou no executivo, eu esperava uma postura menos populista.
Dilma realmente é corajosa. O fato de não ter renunciado apesar da iminência do impeachment demonstra isto. O problema é que só isto não basta. Resistir à pressão é uma ação elogiável, mas em política, negociação é uma característica muito mais desejável. Se eu estivesse recrutando um presidente da República, o primeiro requisito seria saber negociar, pois sem isto os objetivos não são alcançados. Exemplos temos de sobra, tanto de bons negociadores quanto de outros nem tanto.A terceira postagem fiz em 09/10/2014 no Facebook:
Daniel Zanette
Por um tempo você até consegue manter um país sem investir na geração de riqueza, somente o explorando através de cobrança de impostos e aumento da burocracia, mas em algum momento a concorrência de outros países faz com que as possibilidades de geração de riqueza nacional desapareçam e a fonte seca.
O que acontece dai para a frente é horrível...
Informe-se na sua empresa sobre como o governo atual a tem tratado e tire suas próprias conclusões sobre para onde estamos indo.
Pense nisto: Governos não fabricam dinheiro. Se as fontes de geração de riqueza do país não forem apoiadas (no mínimo não serem atrapalhadas) o dinheiro vai diminuir e ai não haverá o que prometer, pois não haverá recurso para tal.
Perceba que os países mais pobres são aqueles com governos mais populistas e que são contra o lucro. São países em que é feio gerar riqueza, mesmo que seja para o bem de seu povo.
O que acontece dai para a frente é horrível...
Informe-se na sua empresa sobre como o governo atual a tem tratado e tire suas próprias conclusões sobre para onde estamos indo.
Pense nisto: Governos não fabricam dinheiro. Se as fontes de geração de riqueza do país não forem apoiadas (no mínimo não serem atrapalhadas) o dinheiro vai diminuir e ai não haverá o que prometer, pois não haverá recurso para tal.
Perceba que os países mais pobres são aqueles com governos mais populistas e que são contra o lucro. São países em que é feio gerar riqueza, mesmo que seja para o bem de seu povo.
Este singelo texto para mim foi um marco, pois foi escrito em véspera de eleição onde tudo relacionado a economia estava maquiado. Obviamente não foi privilégio meu perceber isto antes dos problemas virem a tona, mas a falta de informação da população em geral em relação à situação crítica do país fez Dilma se reeleger e o que se passou a partir de então todos sabem. A guerra entre irmãos terá seu desfecho na próxima semana, com a finalização do processo de impeachment. Um dos lados pensa que sairá vencedor, mas a verdade é que o país está perdendo muito com esta guerra. Pouca gente se preocupa com isto, preferem defender seus próprios interesses, mesmo com as consequências nefastas que isto gera. Ainda bem que estamos no final, espero que o cessar fogo seja a próxima etapa, para o bem do país.
Está na hora de pensar nas próximas eleições para presidente
Mesmo que a campanha nem tenha começado, se você tivesse que responder a pergunta: "Se as eleições fossem hoje e os candidatos a presidente do Brasil fossem estes, em quem você votaria?".Opção A: Candidato X
Opção B: Candidato Y
Opção C: Candidato Z
Opção D: Estou em dúvida
Você já tem candidato a presidente do Brasil?
Se sua resposta for sim, provavelmente você está ligado a algum partido político e crê piamente que o programa do mesmo seja o mais adequado e votará no candidato deste partido independente de quem seja, mesmo que já tenha provado incompetência; está ligado a alguma entidade sindical; tem algum interesse pessoal na eleição de determinado candidato; está "mamando na teta do povo" (e não quer largá-la); ou ainda, tem uma convicção forte de que determinado candidato possa ser o salvador da pátria. Não me ocorre mais nenhuma possibilidade.
Se sua resposta for "estou em dúvida", seja qual for o motivo, e quer pelo menos tentar fazer uma boa escolha, este texto é para você. Sem querer ser pretensioso, talvez ele te ajude.
Uma escolha difícil
Será que somos realmente responsáveis com a escolha dos políticos que irão trabalhar para nós? Será que realmente avaliamos a fundo as propostas dos candidatos? Será que temos noção que uma vez eleitos os políticos devem seguir o prometido? Fazemos cobranças diretas aos nossos representantes? O que acontece se os governantes fazem exatamente o inverso do que prometeram nas campanhas eleitorais? Temos claro o que precisa ser feito para que o país prospere e se torne rico?Imagino que enquanto leu estas perguntas você involuntariamente respondeu a cada uma delas. Como disponho deste espaço aproveito o mesmo para dar as minhas respostas. Embora as questões tenham sido feitas no sentido de nação, do conjunto da população, creio que a politização de um país ocorre em sentido espiral, ou seja, começa pelo indivíduo, que vai espalhando aos mais próximos até chegar aos mais distantes, por isso as respostas individuais são importantes. Talvez esta seja uma boa utilidade para as "pirâmides". Quer ter sucesso financeiro? Quantas pessoas é capaz de recrutar para a causa de tornar o Brasil um país rico? Não seria ótimo que todos os que realmente tivessem o desejo de ter independência financeira a conquistassem de acordo com seus méritos, sem depender de benesses?
Será que somos realmente responsáveis com a escolha dos políticos que irão trabalhar para nós?
Minha resposta é NÃO. Infelizmente até a última eleição eu agi mais com paixão do que com razão. Poderia justificar que dentre as opções disponíveis escolher o menos pior já seria algo louvável, até pode ser, mas escolher o menos pior sem avaliar o motivo de o candidato merecer este título é ser irresponsável.O candidato a presidente no qual eu votei no primeiro e no segundo turno nas últimas eleições não ganhou, mas eu fiz minha escolha. Porém se me perguntarem se eu conhecia a fundo o plano de governo do candidato minha resposta é, de novo, NÃO. Agi com muita irresponsabilidade. Certamente se eu estivesse escolhendo um médico, um professor, um pedreiro, uma faxineira, ou qualquer outro profissional eu iria investir um tempo para avaliar se o profissional atende os requisitos que eu preciso. Se tem formação, se é caprichoso, se tem experiência, se é honesto, enfim, eu não colocaria em risco o resultado do trabalho e o dinheiro que iria investir contratando um profissional que não atendesse a requisitos mínimos para realizar a tarefa. Com o país eu não fiz isto. Tentei dar emprego para uma pessoa que nem conhecia, o que iria acontecer se ele fosse eleito? Não sei. Reitero, fui MUITO IRRESPONSÁVEL. E você? Que reflexão faz a respeito disto?
Alguém poderia dizer que os políticos são todos farinha do mesmo saco, que se fôssemos analisar a fundo votaríamos em branco, etc, etc. Concordo, porém se não estamos dominados pela paixão e somos mais racionais acabamos também sendo mais cautelosos. Se de antemão conhecemos o profissional que irá nos prestar serviço e sabemos das suas deficiências, ficaremos mais atentos ao seu trabalho. Se ao contrário, entregarmos tudo para ser feito e não acompanharmos por confiar cegamente no mesmo, só iremos saber se acertamos na escolha quando virmos o resultado final, ai pode ser tarde demais.
Será que temos noção que uma vez eleitos os políticos devem seguir o prometido?
Difícil cobrar se não temos claro quais são suas propostas. Mas supondo que a escolha tenha sido consciente devemos sim cobrar pessoalmente dos nossos representantes que eles cumpram seus programas de governo. A imprensa seguidamente faz isso, principalmente nas esferas locais, mas não é suficiente. Se houvesse uma onda forte de cobranças certamente os ocupantes de cargos ficariam preocupados com seu futuro político.Infelizmente não há nenhum mecanismo legal que puna políticos que não cumpram o que prometeram. Também não podemos tirar ninguém do poder alegando incompetência. O remédio para isto, pelo menos na esfera federal que é onde realmente se faz a diferença em relação ao futuro da nação, seria o parlamentarismo. No último plebiscito a população optou pela continuidade do presidencialismo, a opinião do povo é soberana, evidentemente, mas esclarecer adequadamente a população também deveria fazer parte do processo.
Lembro bem que bateu-se muito forte na época que se o parlamentarismo fosse aprovado, não teríamos mais direito de escolher o nosso presidente. Isto é brincar com a inteligência das pessoas, mas pior do que isto é deixar os outros brincarem, na minha opinião foi o que ocorreu na ocasião.
Acredito que se naquela oportunidade tivéssemos optado por mudança de regime, hoje o país seria outro, no mínimo menos corrupto. Ainda há tempo. Este é um ponto que vou procurar saber dos candidatos, sua opinião sobre o regime de governo do pais. É a favor do parlamentarismo? Ganhou um ponto comigo.
Fazemos cobranças diretas aos nossos representantes?
Curto e grosso, eu nunca fiz. Cômodo para eles, não?O que acontece se os governantes fazem exatamente o inverso do que prometeram nas campanhas eleitorais?
A regra é que não aconteça nada. Mas há exceções e a mais recente é da presidente afastada Dilma Roussef.Sinceramente acho que o que mais está pesando contra ela no processo de impeachment nem são as ditas pedaladas fiscais, embora sejam ilegais e serviram para mascarar a realidade econômica do país para a população e para a opinião pública. Mas o que está realmente fazendo a diferença no processo é a falta de apoio do povo. Dilma perdeu isto e por consequência perdeu também o apoio do Congresso. Historicamente isto é uma regra, o Congresso é (mesmo que por vias tortas) sensível às pressões populares.
Ninguém, mesmo o mais ignorante dos indivíduos gosta de ser enganado. A última eleição para presidente foi um verdadeiro estelionato eleitoral, pelo menos no que se refere a economia. Tudo estava maquiado. Vivíamos uma situação de prosperidade mentirosa, basta ver que desde os primeiros dias de governo, Dilma tratou de fazer o correto, aplicar no país um remédio amargo, mas necessário.
O problema é que este remédio desagradou a população, parte porque teve os benefícios que recebia do governo reduzidos ou até cortados, e parte porque se sentiu enganada, sendo obrigada a tomar um remédio que a candidata Dilma dizia que não seria necessário.
O povo saiu às ruas para protestar. Alguns aliados da presidente, por incrível que pareça, também protestaram. O remédio era necessário, mas os efeitos colaterais fizeram o médico (Dilma) irresponsavelmente reduzir as doses, novo erro. O paciente foi ficando cada vez mais doente, passou a desconfiar do médico e entender que deveria ouvir outras opiniões. Ficou confirmado que o médico estava equivocado no seu tratamento. Suas ações fizeram o paciente piorar muito, criou-se um círculo vicioso de desconfiança.
Deixando a metáfora de lado, o povo aceitou o pretenso golpe por conta da situação econômica do pais. Simples assim. Dilma poderá ter seu mandato reduzido não em função das pedaladas, mas por perder apoio, por ter sido incompetente, ter errado nas medidas econômicas.
Então afirmar que nada acontece com políticos que não cumprem o que prometem não é de todo correto. Está ai este exemplo para mostrar que a pressão da população faz os políticos perderem apoio, dai a uma mudança é questão de tempo. Políticos que não cumprem o que prometem devem sofrer pressão e mudar sua postura. No caso da presidente Dilma a pressão ocorreu, a mudança de postura não. Está sofrendo as consequências.
Não me sinto confortável em ver minha presidente perder seu mandato, mas no meu entendimento isto ocorreu por sua própria incompetência e inabilidade política. Ou seja, não me sinto confortável, mas também não me sinto culpado. E a reação do povo frente a isto, ficando inerte durante todo o processo mostra que a maioria não estava nem ai para a presidente, pois se estivesse iria às ruas protestar contra o "golpe", o que não ocorreu. Exceção a grupos sabidamente ligados a presidente, o que é justo, mas no contexto, pouco relevante.
Temos claro o que precisa ser feito para que o país prospere e se torne rico?
Inicio esta parte do texto escrevendo que em relação a política partidária não tenho lado. Não sou filiado a nenhum partido (embora ache que isto seja importante para a democracia) porque para isto o primeiro passo seria avaliar os programas partidários dos 35 partidos existentes hoje no Brasil, o que ainda não fiz, outra falha, mas compreensível num contexto onde se muda de opinião de acordo com a conveniência.O problema começa com a própria existência de 35 partidos. Seriam 35 sérios programas diferentes a disposição do povo brasileiro? Sinceramente, a mim isto não faz sentido. A maioria dos partidos são nanicos e para nada mais se justificam do que servirem de moeda de troca nas eleições, seja por tempo de TV, rádio ou de apoio da militância (mesmo que ínfima).
Então precisamos de uma reforma política profunda pelo bem do país, tudo começa por ai. Com um número menor de partidos, ficaria mais fácil aos eleitores conhecerem os objetivos de cada um e definir a bandeira que iriam levantar. É muito complicado com a atual formatação alguém se definir por um projeto quando existem várias sobreposições de propostas entre os diversos partidos existentes. Reitero, o que tem se visto são mudanças relevantes de postura e opinião dependendo do lado em que se está. Se governo a situação é uma, se oposição, muda-se radicalmente. Com isto o povo fica perdido e vota em "salvadores da pátria" que respaldados pelos votos se acham tão poderosos que podem posicionar-se acima da lei e dos demais poderes constituídos. Isso para mim é o início de tudo. Um candidato que se mostre disposto a encarar este problema e defina ainda nas eleições de forma clara como pretende encaminhar a reforma política e se esta for respaldada por técnicos isentos vai ganhar mais um ponto em relação a minha escolha.
Recentemente li o excelente livro Depois da Tempestade do economista Ricardo Amorim e isto foi o estopim para a publicação deste texto. O livro apresenta propostas claras e embasadas que nos fazem entender o que ocorreu no Brasil nas últimas décadas e o que devemos fazer para que o país prospere e se torne rico no futuro.
Eu poderia simplesmente listar os tópicos e entregar a essência do livro, mas não acho isto justo com o autor e além do mais isto não é permitido. Por isso, apenas digo que o livro respondeu algumas perguntas sobre temas que sempre me deixaram em dúvida:
1) Por que o Brasil cresceu tanto durante o período de governo do presidente Lula?
2) Por que mesmo com tal crescimento, sempre ficava a impressão de que algo estava errado?
3) Por que é prejudicial para o país o fato do Estado interferir diretamente no mercado?
4) Os programas sociais são importantes?
5) No Brasil, os empresários dispõe de programas sociais disfarçados? É possível dizer que os empresários se beneficiam do "Bolsa Empresário"?
6) Lula e/ou Dilma erraram na política econômica ou a situação atual do país é decorrência da crise mundial?
7) Era possível prever o buraco em que o Brasil estava se enterrando, a tempo de evitar que isto ocorresse?
8) Qual o futuro de curto e médio prazo, em termos econômicos, para o Brasil?
9) Por fim, objetivamente, o que é necessário fazer para que o Brasil realmente seja um pais rico no futuro, e que esta riqueza seja distribuída de maneira justa entre todos os brasileiros?
Vejam que são muitas e relevantes as questões e certamente devo ter esquecido algumas pois a obra é muito abrangente. Mas o mais importante é que cada leitor faça as suas interpretações e tire as suas conclusões. A mim o livro tornou mais patriota. Me fez ver que é possível construirmos um país rico em curto espaço de tempo, favorecendo a geração atual e várias que virão.
Sei que com o cenário atual de total falta de confiança em nossos políticos é difícil acreditar em um futuro bom para todos, mas não podemos perder as esperanças. Se o processo de impeachment que se encerra na próxima semana culminar com o afastamento definitivo da presidente Dilma; se a Operação Lava Jato seguir seu curso e os corruptos forem punidos; se mais pessoas se conscientizarem do que é necessário fazer para o país progredir e cobrarem dos políticos estas ações, creio que muito em breve colheremos bons frutos, mas somente se soubermos semear bem agora e cuidarmos da plantação com paciência e perseverança.
Um país onde a impunidade impera e seus cidadãos não são politizados, é bem diferente de um país onde o inverso disto é a regra. Nem que seja por medo, tenho certeza que os políticos vão se comportar melhor, afinal, pode parecer clichê, mas o povo unido tem poder.




