Duas palavras que procuram resumir os assuntos que pretendo abordar neste blog. As mais variadas sensações de um cotidiano recheado de grandes desafios e compensações proporcionais.
sexta-feira, 8 de junho de 2012
Senhores telespectadores...
Nesta sexta-feira, de temperatura negativa na serra gaúcha, nada melhor do que escrever sobre um tema sem muita relevância, mas que faz parte da vida de todas as pessoas: Televisão, especificamente a aberta e gratuita.
Mas o que isto tem a ver com o fato de ser sexta-feira e da temperatura estar baixa? Simples. Nestas condições é bem provável que a maioria da população que está de folga opte por ficar em casa no final de semana, embaixo de cobertores, assistindo TV, ao invés de sair para passear, principalmente a noite.
O tema é complexo e extremamente abrangente. Falar de um programa de televisão seria fácil, mas falar de televisão sem delimitar nada, em minha visão é bem mais complicado. Mas vou tentar.
Muito embora ao longo do tempo foram incorporadas outras, sabe-se que a principal fonte de receita das emissoras de televisão provém da venda de espaços comerciais, pelo menos nas emissoras responsáveis e sérias. Os anunciantes, via de regra, preferem as que possuem as maiores audiências, pois desta forma seus anúncios serão vistos por um número maior de pessoas. Em alguns casos, a escolha do programa onde o anúncio será exibido também leva em conta a credibilidade dos apresentadores, o público predominante, entre outros fatores. Mas audiência, é o alvo das emissoras pois dá grande visibilidade a elas e isto, neste setor, é fundamental.
Quando resolvi escrever sobre este tema, procurei assistir a televisão de maneira um pouco mais crítica. Através deste exercício percebi que na maioria das vezes quando estou na frente da TV, estou apenas olhando para o aparelho, mas não assistindo efetivamente. Meus pensamentos vão longe... e a TV ali, ligada. Outro detalhe que constatei foi que os programas de maior audiência são, ou os apelativos, ou os simples em sua produção, ou os que estão no ar há muito tempo, consolidados e que já fazem parte da rotina das pessoas. Não seriam exatamente estes os motivos destes programas fazerem sucesso? Quais sejam: Serem de fácil entendimento, ou velhos conhecidos do público e que não exigem, portanto, concentração e pensamento crítico de quem os estão assistindo?
Recentemente conclui a leitura de "O Livro do Boni" e percebi que quando a Rede Globo ainda era uma pequena emissora, sem expressão em termos de audiência, escolheu um caminho que em pouco tempo a levou a liderança de onde nunca mais saiu. O caminho foi a diferenciação. Seus diretores criaram necessidades no público que nem esses sabiam que tinham. Muitas das atrações que foram criadas no início permanecem no ar até hoje e são as que sustentam a programação da emissora. No momento, entretanto, a campeã de audiência anda meio carente de criatividade. Parece que há uma certa acomodação na empresa que faz com que as novidades sejam diminutas, e quando aparecem, são efêmeras, pois baseiam-se em modismos.
E as outras redes? Em minha opinião a situação é ainda pior. Para garantirem a audiência de cada dia, apelam para aquilo que está chamando a atenção no momento. Quando o público enjoa de determinada música, grupo ou pessoa, a audiência cai, pois a programação está baseada nisto, e não em algo concreto e duradouro. Hoje, por exemplo, a moda é ver mulher bonita sendo maltratada na TV. Eu mesmo já assisti três programas que usam esta estratégia para conquistar audiência, já enjoou e eles ainda não perceberam...
Outra consideração que julgo importante: fazia algum tempo que o SBT havia perdido o segundo lugar de audiência no Brasil para a Rede Record. "Coincidentemente" isto ocorreu quando a Record apresentou uma série de novidades em sua programação. Recentemente o SBT resolveu regravar a novela Carrossel e rapidamente viu a audiência de toda a grade subir. Deduz-se que o público só havia saído porque não existiam mais novidades na emissora e Carrossel, por incrível que pareça, significou algo novo. Voltaram para assistir a novela e perceberam que haviam outros programas interessantes.
Mas então, porque não inovar mais frequentemente? Mas inovar mesmo, pensar em algo que ainda não foi feito na TV, sair aos poucos desta situação de absoluta falta de qualidade. Será que é tão difícil? Será acomodação? Será medo de errar?
Evidentemente não tenho as respostas para as perguntas acima, mas avalio que com a programação atual, os brasileiros que têm na televisão aberta a sua principal fonte de entretenimento estão recebendo uma carga de informações inúteis e de mau gosto, porém, fáceis de digerir. Ou os diretores artísticos das emissoras estão sem ideias ou acham que o brasileiro não tem condição de absorver nada melhor. Qualquer que seja o motivo, é lamentável...
Bom final de semana a todos.
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