Quem me conhece sabe que desde muito jovem sempre fui ligado ao
Movimento Tradicionalista Gaúcho. Este foi um dos pilares da formação da minha
personalidade, pois tive a oportunidade de conviver em um ambiente com valores
e princípios muito enraizados, muito embora minha juventude e imaturidade não me
permitiram viver em plenitude tudo o que o Movimento tem a oferecer.
Sem pretender medir se o conhecimento que tenho a respeito do Movimento
é grande ou pequeno, gostaria de dizer que tudo o que sei me foi ensinado por
pessoas mais experientes através de palestras, livros e conversas informais. A
paciência e a dedicação que algumas pessoas dispensaram em meu favor me fizeram
sair de uma condição primária de entendimento para outra, em minha opinião, bem
mais consistente.
A isca que me fez entrar no Movimento foi a dança. Pouco tempo depois,
a música me fez permanecer. Hoje, não danço e nem canto mais, mas continuo
ativo no Movimento pela consistência citada acima. Se eu ainda fosse imaturo
como na minha juventude, provavelmente não veria motivos para continuar
frequentando o CTG.
Me perdoem os que abandonam suas entidades porque param de dançar,
cantar, tocar; ou porque seus filhos param; ou porque não concordam com a
patronagem em algum aspecto. Mas o que eu penso a respeito de vocês, é que são
pessoas que estão no estágio inicial da escalada tradicionalista. Contentam-se
com a isca apenas. Não sabem o banquete que estão perdendo.
Houve um tempo em que eu questionei muito as atividades Artísticas dos CTGs.
Achava que a competição estava tirando o foco real do Movimento. Que os
dançarinos, cantores, instrutores, músicos, coordenadores, estavam focados num
único objetivo: Concursos de Dança. Cheguei a pensar que o melhor seria
extinguir os concursos. Pensava que estar em um CTG significava muito mais do
que satisfazer uma vaidade própria. Significava fazer um bem para a sociedade.
Apregoar valores e princípios que tornassem a vida em comunidade melhor. Só
nunca soube como fazer isso sem desestimular o ingresso dos jovens ao Movimento.
Vamos ao assunto principal deste texto:
Ontem à noite, tive a oportunidade de assistir ao Elenco Artístico do CTG
Campo dos Bugres, o meu CTG, em uma apresentação de um espetáculo cênico no UCS
Teatro. Percebam como o Movimento evoluiu. O que no passado era restrito aos
galpões e rodeios, hoje pode ser apreciado também num ambiente confortável e
improvável até bem pouco tempo, como um teatro.
Capricho nos detalhes, atores bem ensaiados, coreografias harmônicas e
bem montadas, mas principalmente uma história. O benefício foi proporcional a
assistir uma palestra, ler um livro ou conversar com alguém experiente, e o
melhor, foi divertido.
Agora o inusitado. A grande maioria dos artistas faz parte do grupo de
danças adulto do CTG. Estão trabalhando duro para participarem no final do ano
do “maior festival artístico amador da América Latina”. Mas para chegar lá,
tiveram de estudar, ensaiar, decorar, enfim, investir tempo em algo que os
levará com mais facilidade ao seu objetivo final. Imagino que sem perceberem,
estão trocando de patamar no tradicionalismo, pois estão tendo acesso à
essência do Movimento. No momento, isto pode não fazer muito sentido, mas
ficará no subconsciente e futuramente, terá uma utilidade enorme, experiência
própria. Ccom esta atividade, foi possível apregoar valores e princípios aos
jovens sem desestimulá-los, afinal estavam fazendo o que gostam, dançando!!!
Mas porque falei no início do texto que “os meios justificam os fins”?
Simples. Apesar de entender que dança é o estágio mais primário do Movimento admito
que não podemos viver sem ela. Temos, portanto de ser criativos o suficiente
para que até que cheguemos ao “fim” (dançar, competir), passemos por vários “meios”
que possibilitem melhoria no entendimento dos membros de nossas entidades sobre
o que realmente é a essência do Movimento. Teatro é uma ótima maneira, isso se
comprovou ontem a noite, precisamos criar outras.
No Campo dos Bugres isto não é novidade. Um dos alicerces do CTG sempre
foi o teatro. Nos momentos mais difíceis esta atividade possibilitou a
integração de todos. Creio que em uma situação extrema, talvez esta fosse a
última atividade a se extinguir. Por incrível que pareça, não conheço outra
entidade que faça algo parecido.
Por fim, parabéns a todos os que participaram de uma forma ou de outra
deste espetáculo. Fica a dica para quem não foi. Em uma próxima apresentação
não deixem de ir. Esqueçam qualquer tipo de apresentação de CTG que já tenham
assistido, esta é diferente, é inédita, vale a pena. Creio que com divulgação
será possível apresentar o espetáculo em todo o estado. Seria uma contribuição
imensa que o CTG prestaria a quem fosse prestigiar o evento.
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