domingo, 20 de maio de 2012

Os meios justificam os fins.

Em diversas situações ouvimos que “os fins justificam os meios”, mas será que em algum caso é possível afirmar que “os meios justificam os fins”? Sim, é possível. Pelo menos em uma situação cheguei a esta conclusão.

Quem me conhece sabe que desde muito jovem sempre fui ligado ao Movimento Tradicionalista Gaúcho. Este foi um dos pilares da formação da minha personalidade, pois tive a oportunidade de conviver em um ambiente com valores e princípios muito enraizados, muito embora minha juventude e imaturidade não me permitiram viver em plenitude tudo o que o Movimento tem a oferecer.

Sem pretender medir se o conhecimento que tenho a respeito do Movimento é grande ou pequeno, gostaria de dizer que tudo o que sei me foi ensinado por pessoas mais experientes através de palestras, livros e conversas informais. A paciência e a dedicação que algumas pessoas dispensaram em meu favor me fizeram sair de uma condição primária de entendimento para outra, em minha opinião, bem mais consistente.

A isca que me fez entrar no Movimento foi a dança. Pouco tempo depois, a música me fez permanecer. Hoje, não danço e nem canto mais, mas continuo ativo no Movimento pela consistência citada acima. Se eu ainda fosse imaturo como na minha juventude, provavelmente não veria motivos para continuar frequentando o CTG.

Me perdoem os que abandonam suas entidades porque param de dançar, cantar, tocar; ou porque seus filhos param; ou porque não concordam com a patronagem em algum aspecto. Mas o que eu penso a respeito de vocês, é que são pessoas que estão no estágio inicial da escalada tradicionalista. Contentam-se com a isca apenas. Não sabem o banquete que estão perdendo.

Houve um tempo em que eu questionei muito as atividades Artísticas dos CTGs. Achava que a competição estava tirando o foco real do Movimento. Que os dançarinos, cantores, instrutores, músicos, coordenadores, estavam focados num único objetivo: Concursos de Dança. Cheguei a pensar que o melhor seria extinguir os concursos. Pensava que estar em um CTG significava muito mais do que satisfazer uma vaidade própria. Significava fazer um bem para a sociedade. Apregoar valores e princípios que tornassem a vida em comunidade melhor. Só nunca soube como fazer isso sem desestimular o ingresso dos jovens ao Movimento.

Vamos ao assunto principal deste texto:

Ontem à noite, tive a oportunidade de assistir ao Elenco Artístico do CTG Campo dos Bugres, o meu CTG, em uma apresentação de um espetáculo cênico no UCS Teatro. Percebam como o Movimento evoluiu. O que no passado era restrito aos galpões e rodeios, hoje pode ser apreciado também num ambiente confortável e improvável até bem pouco tempo, como um teatro.

Capricho nos detalhes, atores bem ensaiados, coreografias harmônicas e bem montadas, mas principalmente uma história. O benefício foi proporcional a assistir uma palestra, ler um livro ou conversar com alguém experiente, e o melhor, foi divertido.

Agora o inusitado. A grande maioria dos artistas faz parte do grupo de danças adulto do CTG. Estão trabalhando duro para participarem no final do ano do “maior festival artístico amador da América Latina”. Mas para chegar lá, tiveram de estudar, ensaiar, decorar, enfim, investir tempo em algo que os levará com mais facilidade ao seu objetivo final. Imagino que sem perceberem, estão trocando de patamar no tradicionalismo, pois estão tendo acesso à essência do Movimento. No momento, isto pode não fazer muito sentido, mas ficará no subconsciente e futuramente, terá uma utilidade enorme, experiência própria. Ccom esta atividade, foi possível apregoar valores e princípios aos jovens sem desestimulá-los, afinal estavam fazendo o que gostam, dançando!!!

Mas porque falei no início do texto que “os meios justificam os fins”? Simples. Apesar de entender que dança é o estágio mais primário do Movimento admito que não podemos viver sem ela. Temos, portanto de ser criativos o suficiente para que até que cheguemos ao “fim” (dançar, competir), passemos por vários “meios” que possibilitem melhoria no entendimento dos membros de nossas entidades sobre o que realmente é a essência do Movimento. Teatro é uma ótima maneira, isso se comprovou ontem a noite, precisamos criar outras.

No Campo dos Bugres isto não é novidade. Um dos alicerces do CTG sempre foi o teatro. Nos momentos mais difíceis esta atividade possibilitou a integração de todos. Creio que em uma situação extrema, talvez esta fosse a última atividade a se extinguir. Por incrível que pareça, não conheço outra entidade que faça algo parecido.

Por fim, parabéns a todos os que participaram de uma forma ou de outra deste espetáculo. Fica a dica para quem não foi. Em uma próxima apresentação não deixem de ir. Esqueçam qualquer tipo de apresentação de CTG que já tenham assistido, esta é diferente, é inédita, vale a pena. Creio que com divulgação será possível apresentar o espetáculo em todo o estado. Seria uma contribuição imensa que o CTG prestaria a quem fosse prestigiar o evento.



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